Quando Deus olhou para Adão e disse “não é bom que o homem esteja só”, não estava apenas reconhecendo uma necessidade humana. Estava revelando algo profundo sobre a natureza do amor: ele precisa de dois para existir. Dois diferentes. Dois inteiros.
A Palavra de Deus nos recorda, em Gênesis 2,23, que a primeira reação de Adão ao ver Eva não foi de posse, mas de admiração: “Esta sim é osso dos meus ossos.” Ele a reconhece como alguém distinto de si, e é exatamente essa distinção que desperta nele o amor. O matrimônio nasce desse encontro entre duas pessoas únicas, criadas por Deus com dons, histórias e vocações próprias.
A Igreja Católica nos ensina que o ser humano “só se encontra plenamente na doação sincera de si mesmo”. Essa verdade ilumina a vida conjugal de forma especial: para que haja doação verdadeira, é preciso que haja alguém para doar. Quanto mais cada cônjuge cuida de si, de sua fé, de sua saúde interior, de seus dons, mais rico e mais genuíno será o amor que oferece ao outro.
Nesse sentido, cuidar de si não é egoísmo. É uma forma de amor. É reconhecer que Deus nos chamou pelo nome, que somos filhos amados com uma identidade própria, e que essa identidade é um presente que levamos para dentro do casamento.
É importante, porém, discernir bem. Há dois caminhos que se afastam do amor verdadeiro. O primeiro é o da independência excessiva, em que cada um vive sua vida sem que haja comunhão real entre os dois. O segundo é o da fusão, em que um dos cônjuges vai silenciando sua própria identidade ao longo dos anos, perdendo o brilho, deixando adormecidos dons que Deus lhe deu. Nenhum dos dois caminhos reflete o amor que Cristo nos ensina.
Como nos lembra São Paulo em 1Coríntios 13, o amor “não busca os seus próprios interesses”, mas também não destrói a pessoa que ama. O amor verdadeiro quer o bem do outro e querer o bem do outro é também desejar que ele cresça, floresça e seja plenamente quem Deus o chamou a ser.
A própria Santíssima Trindade nos oferece o modelo mais elevado dessa harmonia: Pai, Filho e Espírito Santo, Pessoas distintas, em comunhão perfeita. Não há uniformidade, mas unidade. O casamento cristão é chamado a refletir esse mistério: dois, unidos profundamente, cada um sendo mais plenamente si mesmo por causa do amor que compartilham.
Que o Espírito Santo nos ajude a olhar para nosso cônjuge como Deus o vê: uma pessoa única, amada, portadora de dons que nos complementam. E que nos ajude também a cuidar de quem somos, para ter sempre mais a oferecer.
Perguntas
- Reconheço e valorizo os dons únicos do meu cônjuge? De que forma expresso isso a ele no dia a dia?
- Tenho cuidado de minha vida interior, minha oração, minhas amizades, minha saúde, como forma de me oferecer mais inteiro ao meu casamento?
- Existe algo que venho silenciando dentro do nosso relacionamento? Esse silêncio protege o amor ou o enfraquece?
- Nosso casamento tem me ajudado a crescer e florescer, ou sinto que fui perdendo partes de mim ao longo do caminho?
Canto Inicial:
Gabriel Kzam – Tudo Posso
youtube.com/watch?v=1yEA6FiDcPo
Palavra de Deus: Gn 2, 18.23
Canto Final:
Rosa de Saron – Mire as Estrelas
youtube.com/watch?v=U2nq2KqEeYI
Texto escrito e adaptado pela equipe de Formação de Maringá.