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A BÍBLIA E EU

Aceitei o pedido para falar um pouco sobre como a Bíblia entrou em minha vida e achei bem legal falar sobre isso, pois deve ser a história de muitos.

Desde os 12 anos participei de grupos de adolescentes e de jovens em minha paróquia. Quando tinha cerca de 15 anos, houve um retiro na chácara dos irmãos da Santa Casa, era um domingo, chovia e poucas pessoas, como era normal. A Albani, que animava os grupos de jovens da paróquia, fez uma folha mimeografada com algumas citações de textos bíblicos, explicou a dinâmica e deixou um bom tempo para cada um ler, meditar e responder algumas perguntas. Eu não tinha hábito de leitura, na verdade ‘não gostava de ler’, mas duas horas para ler e meditar os textos passaram rapidamente, a ponto de me surpreender quando ela chamou para o cafezinho.

Prestei atenção na partilha como nunca havia feito e saí de lá com vontade de conhecer e entender a Bíblia e suas histórias. Nas semanas seguintes os textos não saiam da cabeça, mas a falta de hábito de leitura prevaleceu e não fui para os textos bíblicos.

Então comecei a prestar atenção nas leituras da missa e percebi que no folheto “O Domingo”, havia uma coluna que falava da Bíblia. Passei a levar os folhetos pra casa, recortar e guardar. Naquele tempo não era fácil ter acesso a livros ou materiais sobre a Bíblia para iniciantes.

Assim começou meu interesse na Bíblia, a partir de uma pequena experiência da Palavra, que encantou e despertou meu interesse, mudando, de leve, algumas coisas em minha vida. Digo que foi a primeira vez que pensei na vida, na morte, em Deus e na eternidade.

Dali para frente, aos poucos, a Bíblia passou a estar mais perto de mim e eu dela. Ainda de forma a não ditar os caminhos de minha vida, mas cada vez com mais influência.

Aos 17 anos fui jogar futebol no Atlético Paranaense. Capital, cidade grande, tudo diferente. Lá tive tempo e cabeça pra voltar a ler Bíblia. Naquele momento não era estudo, mas leitura e oração da Palavra. Acontece, que passei no vestibular, e voltei para Maringá para cursar o primeiro semestre de Educação física e depois voltar para Curitiba… mas… voltei a me entrosar com o grupo de jovens, igreja, pastoral da juventude e não voltei mais para a carreira de jogador de futebol, e decidi fazer uma experiência no seminário diocesano, pois bateu um pensamento em ser padre. Digo que este pensamento passou, mas a vontade de conhecer a Palavra de Deus só cresceu.

Como já ‘entendia’ um pouco de Bíblia, sempre me chamavam pra dar uma palestra ou um curso sobre algum tema bíblico, o que me fazia estudar, aprofundar e conhecer mais. Isso foi crescendo ao longo do tempo e fazendo o entendimento da Palavra aumentar, sendo mais solicitado para explicar a Bíblia em grupos e comunidades. Até fui chamado para ser professor de Bíblia nas escolas paroquias e na escola de teologia para leigos. Tudo isso fazia (
às vezes obrigava) a estudar mais a Palavra. Decidi desde jovem, depois de excelentes experiências com a Palavra, a nunca dizer não para pedidos de falar ou explicar sobre a Palavra.

Passados 30 anos de estudo da Bíblia e participação na igreja, minha comunidade me escolheu para o diaconato, onde aprofundei os estudos bíblicos e teológicos (fui ordenado em novembro 11/2015). Fiz duas pós-graduação em Bíblia e estou terminando o curso EAD de teologia, pois a pandemia me possibilitou este tempo, onde também comecei um canal no youtube sobre Sagrada Escritura, o qual mantenho com dois vídeos semanais e que me obriga a estudar muito para explicar os textos, contextos e atualização.

Ao longo desses 45 anos de proximidade com a Palavra, fui comprando e ganhando muitos livros, algo importante para entender a Bíblia, já que temos excelentes livros disponíveis. Observação: a grande maioria lido e estudado, já que ter livro e não ler é como jogar pérolas aos porcos.

Hoje não fico sem a Palavra diária, seja ouvindo o evangelho do dia, rezando a liturgia das horas ou lendo e meditando mentalmente alguma parábola. Temos boas opções na internet, mas também temos péssimas opções, que trabalham a Bíblia somente para ficar rico, quebras das maldições dos antepassados (coisas que não são bíblicas) ou para trazer conforto nos sentimentos diários, mas sem levar a uma mudança de vida. A Palavra de Deus é lâmpada para nossos pés, isso significa que temos que caminhar por novos caminhos, novos desafios, buscando ser uma pessoa melhor, mais próxima de Deus. Devemos andar pela Luz, e a palavra nos ilumina o caminha. Devemos viver o amor e a caridade, e a Palavra nos mostra a realização aqui e depois dessa tomada de decisão.

Hoje, depois de 45 anos de proximidade com a Palavra, digo, sem hesitar, que a Palavra me seduziu e eu me deixei seduzir. Digo também que tenho muito a percorrer, pois o caminho da conversão é dinâmico e as mudanças que temos que fazer pra melhor não param. 

A Palavra de Deus faz parte de minha vida, de minhas decisões, de minhas ações e de minha fé. Com Ela me sinto forte para promover as mudanças necessárias, para um dia, habitar na casa do Autor da Palavra pela eternidade, vivendo a Palavra na intensidade do amor.

A Palavra nos leva a novos caminhos que devem ser percorridos com fé, amor, disponibilidade, caridade… seja na vida familiar, comunitária, profissional e de fé.

Paz e Bem.

Sugestão: conheça o meu canal no youtube para estudar a Bíblia – Diácono Beto