Menu fechado

A LITURGIA DO CUIDADO: O CORPO COMO ALTAR DA FAMÍLIA

Vivemos em uma época em que cuidar do corpo muitas vezes é associado apenas à aparência, à estética ou à busca por uma imagem ideal. Mas, para nós, cristãos, o cuidado pode ter um significado muito mais profundo. Cuidar de si também pode ser uma forma de amar.

Quando Deus nos criou, não nos deu apenas uma alma. Deu-nos um corpo, uma história, uma família, uma missão e um tempo para viver. E tudo aquilo que recebemos de Deus somos chamados a cuidar. São Paulo nos lembra: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós?” (1 Coríntios 6, 19)

Se o nosso corpo é templo do Espírito Santo, cuidar dele não é vaidade. É responsabilidade. É reconhecer que nossa vida pertence a Deus e que o nosso corpo é instrumento através do qual podemos amar, servir, trabalhar, acolher, gerar vida e testemunhar a fé.

Muitas vezes, dentro da família, colocamos todos à nossa frente. Cuidamos dos filhos, do marido ou da esposa, da casa, do trabalho, das necessidades de todos… e, pouco a pouco, vamos nos deixando para depois.

Mas existe uma diferença entre egoísmo e cuidado. Egoísmo é colocar-se acima do outro. Cuidado é reconhecer que também precisamos estar bem para poder nos entregar ao outro.

Jesus nos ensina: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Marcos 12, 31). Percebam: Jesus não nos pede apenas para amar o próximo. Ele coloca como referência também o amor por nós mesmos. 

Por isso, cuidar da saúde, descansar, alimentar-se bem, cuidar da mente, cultivar a vida espiritual, buscar momentos de silêncio e oração e até cuidar do próprio corpo podem ser formas de preservar o instrumento através do qual Deus realiza a nossa vocação.

Quando pensamos no altar, pensamos em um lugar de entrega. É sobre o altar que colocamos diante de Deus aquilo que temos, aquilo que somos e aquilo que desejamos oferecer.

E São Paulo nos convida a olhar para o nosso próprio corpo de uma maneira diferente: “Oferecei os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o vosso culto espiritual.” Romanos 12, 1. Que bonito pensar que o nosso corpo também pode ser um altar.

É através das nossas mãos que cuidamos dos nossos filhos. É através dos nossos braços que acolhemos. É através da nossa voz que consolamos. É através do nosso olhar que transmitimos segurança. É através da nossa presença que o nosso cônjuge se sente amado. Por isso, cuidar do corpo é também cuidar da capacidade de estar presente.

Essa reflexão ganha um significado ainda mais especial quando lembramos que outubro e novembro nos convidam, de maneira muito concreta, a olhar para a saúde. O Outubro Rosa e o Novembro Azul nos recordam da importância da prevenção, do diagnóstico precoce e de não negligenciarmos os sinais que o nosso corpo nos apresenta.

Mas, para uma família cristã, essa mensagem pode ir além de uma campanha de conscientização. Cuidar da saúde é também cuidar da missão que Deus nos confiou.

Quando uma mãe realiza seus exames, quando um pai procura acompanhamento médico, quando um marido incentiva sua esposa a se cuidar, quando uma esposa lembra o marido de não adiar aquela consulta, existe ali muito mais do que uma preocupação com a saúde. 

Existe amor. Existe responsabilidade. Existe o desejo de permanecer presente.

Quantas vezes adiamos um cuidado porque acreditamos que temos coisas mais importantes para resolver? Mas talvez precisemos compreender que a nossa própria vida também é uma responsabilidade diante de Deus e daqueles que amamos.

Se o corpo é templo, ele merece cuidado. Não por vaidade. Não pela busca de uma aparência perfeita. Mas por gratidão pelo dom da vida. Por isso, prevenção também é uma expressão de amor. Fazer um exame pode ser um gesto de amor. Buscar ajuda pode ser um gesto de amor. Descansar pode ser um gesto de amor. Cuidar da alimentação, da saúde emocional e da vida espiritual pode ser um gesto de amor. E incentivar alguém que amamos a se cuidar também.

Porque cuidar de si não significa amar menos o outro. Às vezes, significa justamente o contrário. Eu me cuido porque quero continuar presente. Quero acompanhar o crescimento dos meus filhos. Quero envelhecer ao lado do meu esposo ou da minha esposa. Quero continuar servindo. Quero continuar abraçando. Quero continuar vivendo a missão que Deus me confiou. Uma pessoa que se deixa cuidar por Deus consegue cuidar melhor daqueles que estão ao seu redor. 

Que o nosso cuidado nunca seja movido pela vaidade, mas pela gratidão. Que cuidar de nós seja também uma forma de permanecermos disponíveis para amar, servir e cumprir a missão que Deus nos confiou.

Que reconheçamos em nosso corpo um dom de Deus, um templo da Sua presença e um instrumento de amor. E que, através dele, possamos todos os dias nos colocar a serviço daqueles que Ele confiou aos nossos cuidados.

Perguntas para reflexão:

  • Qual cuidado comigo mesmo tenho adiado?
  • Existe alguém dentro da minha família que precisa ser mais cuidado, ouvido ou incentivado?
  • O que posso fazer, a partir de hoje, para transformar o cuidado em uma expressão concreta de amor dentro da minha casa?
  • Tenho permitido que Deus cuide de mim para que eu também consiga cuidar daqueles que Ele colocou em minha vida?

Canto Inicial:
Consagrado Para Amar
Eliana Ribeiro – youtube.com/watch?v=SYN6XR5ZlA4
Palavra de Deus: Romanos 12,1-2

Canto Final:
A Benção – Ramon e Rafael
youtube.com/watch?v=SqnkrLpOTDs

Texto escrito por Robson e Karina – Grupo Unidos em Cristo.