Vivemos um tempo marcado por grandes avanços tecnológicos e por inúmeras facilidades de comunicação. Paradoxalmente, nunca houve tantas pessoas experimentando a solidão, a ansiedade, a depressão e outras formas de sofrimento emocional. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os transtornos mentais figuram entre os maiores desafios da saúde pública mundial e afetam pessoas de todas as idades, classes sociais e estados de vida.
Essa realidade também está presente em nossas famílias, em nossas comunidades e, muitas vezes, dentro de nós mesmos. O ritmo acelerado da vida, a necessidade constante de corresponder às expectativas, as dificuldades financeiras, os conflitos familiares, as perdas, as frustrações e o excesso de estímulos têm produzido corações cansados, sobrecarregados e, por vezes, desesperançados.
O Evangelho de Mateus nos apresenta uma cena que continua extremamente atual. Os discípulos atravessam o mar durante a noite enquanto enfrentam uma forte tempestade. O vento é contrário, as ondas ameaçam a embarcação e o medo toma conta de seus corações. Quantas vezes essa também é a nossa realidade? Nem sempre as tempestades que enfrentamos são visíveis. Muitas delas acontecem no interior de nossa alma. A ansiedade, a depressão, o medo do futuro, o sentimento de incapacidade e tantas outras dores emocionais se tornam verdadeiras tempestades silenciosas, capazes de nos fazer acreditar que estamos sozinhos.
A vida é um dom precioso confiado por Deus e somos chamados a cuidar dela com responsabilidade. Quando buscamos ajuda, também acolhemos a Providência divina, que se manifesta através das pessoas que o Senhor coloca em nosso caminho para cuidar de nós.
Entretanto, há uma pergunta que merece ser feita: onde temos buscado refúgio para as dores da nossa alma?
Vivemos cercados de alternativas que prometem aliviar o sofrimento: excesso de trabalho, distrações, consumo, redes sociais, entretenimento ou mesmo o isolamento. São respostas rápidas para dores profundas. Muitas delas anestesiam momentaneamente, mas não curam.
Na tempestade enfrentada pelos discípulos, Jesus aproxima-se caminhando sobre as águas. No entanto, eles não O reconhecem. Acreditam estar diante de um fantasma. Assim também acontece conosco. O medo tem a capacidade de alterar o nosso olhar. Quando permitimos que a ansiedade e a preocupação dominem o coração, passamos a enxergar apenas o tamanho das ondas e deixamos de perceber a presença d’Aquele que jamais deixou de caminhar ao nosso encontro.
Pedro caminha sobre as águas enquanto mantém seu olhar fixo em Jesus. Quando, porém, deixa que o medo fale mais alto do que a confiança, começa a afundar. Assim também acontece conosco: as tempestades da vida não nos afastam de Deus, é quando desviamos nosso olhar de Cristo que perdemos a paz do coração.
Ao perceber que está afundando, ele não permanece em silêncio nem tenta resolver tudo sozinho. Simplesmente clama: “Senhor, salva-me!”
A fé não elimina nossas fragilidades, mas nos ensina a confiar e a reconhecer que Deus jamais nos abandona. Ele estende sua mão por meio da oração, dos sacramentos, da Palavra, da família, da comunidade e de todos aqueles que coloca em nosso caminho para nos sustentar. Também somos chamados a ser essa mão estendida para os irmãos, acolhendo suas dores com amor, escuta e compaixão, para que ninguém precise atravessar sozinho as tempestades da vida.
Ao final da travessia, a tempestade cessa, e assim como os discípulos, nós reconhecemos quem verdadeiramente está conosco dentro do barco. Cristo nem sempre acalma imediatamente as tempestades da vida, mas nunca deixa de caminhar ao nosso encontro, de estender a mão quando começamos a afundar e de nos conduzir, com segurança, à outra margem.
Que nossas famílias aprendam a fazer da oração o primeiro refúgio, da comunidade um lugar de acolhida e da esperança uma escolha diária. E que, diante de qualquer tempestade, jamais nos esqueçamos da voz de Cristo que continua ecoando em nossos corações: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
Perguntas:
- Quais são as “tempestades” que nossa família enfrenta hoje? Temos permitido que elas nos afastem de Cristo ou têm nos aproximado ainda mais d’Ele?
- Quando o medo, a ansiedade ou o sofrimento chegam à nossa vida, para onde dirigimos o primeiro olhar: para a força das ondas ou para a presença de Jesus que caminha ao nosso encontro?
- Nossa família tem sido um lugar de acolhida, onde cada pessoa se sente livre para expressar suas fragilidades, pedir ajuda e encontrar escuta, compreensão e oração? O que ainda precisamos melhorar?
Canto Inicial:
ME DEIXA FICAR – GERADOS PELA IMACULADA
youtube.com/watch?v=AFG493_vAxo
Palavra de Deus: Deuteronômio 6,4-9
Canto Final:
Perfume – Fraternidade São João Paulo II
youtube.com/watch?v=bPNr8Wr3qkk
Texto escrito e adaptado pela equipe de Formação de Maringá.