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O OLHAR QUE REDIME: VER O CÔNJUGE ATRAVÉS DAS LENTES DA GRAÇA

Na vida matrimonial, o modo como olhamos para o outro tem o poder de construir ou ferir profundamente a relação. A proposta de “ver o cônjuge através das lentes da graça” nos convida a sair de um olhar meramente humano — muitas vezes marcado por cobranças, mágoas e limitações — para assumir um olhar redimido pelo amor de Deus. Esse olhar não ignora as falhas, mas as envolve com misericórdia, assim como Cristo faz conosco.

A Palavra de Deus nos orienta claramente sobre isso. Em Efésios 4,32 lemos: “Sede bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo.” O matrimônio é um caminho de santificação, onde homem e mulher são chamados a experimentar e refletir o amor de Deus. No entanto, esse caminho passa inevitavelmente pela realidade das imperfeições. É aí que entra a graça: ela nos capacita a olhar além do erro e enxergar a dignidade do outro como filho amado de Deus.

A espiritualidade da Renovação reforça a importância de viver sob a ação do Espírito Santo. É Ele quem renova o coração, cura as feridas e transforma o olhar. Quando o casal permite que o Espírito Santo conduza sua relação, aprende a reagir com mansidão, paciência e amor, mesmo diante das dificuldades. Como nos ensina Gálatas 5,22, o fruto do Espírito é “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. Esses frutos são essenciais para um olhar que redime.

A Canção Nova também nos recorda frequentemente que o amor verdadeiro é uma decisão diária. Não se trata apenas de sentimento, mas de escolha. Escolher amar é também escolher como olhar. Muitas vezes, o cônjuge pode estar ferido, cansado ou agindo de forma inadequada, e o olhar humano tende a julgar e condenar. Mas o olhar da graça busca compreender, acolher e ajudar a restaurar. É o olhar do próprio Jesus, que ao encontrar a mulher adúltera (João 8), não a condena, mas a convida a uma vida nova.

Ver o cônjuge com esse olhar exige humildade. Exige reconhecer que também somos falhos e necessitados da misericórdia de Deus. Quando compreendemos isso, nos tornamos mais pacientes e menos exigentes. Passamos a valorizar mais as qualidades do outro do que seus defeitos, e isso gera um ambiente de amor, segurança e crescimento.

Além disso, esse olhar redentor fortalece a unidade do casal. Em vez de se tornarem adversários, marido e mulher se tornam aliados na caminhada rumo ao céu. Um ajuda o outro a se levantar, a recomeçar, a crescer. Como diz Eclesiastes 4,9-10: “É melhor dois do que um… se um cair, o outro levanta o seu companheiro.”

Portanto, assumir o olhar da graça no matrimônio é permitir que Deus seja o centro da relação. É deixar que Ele transforme nossa maneira de ver, sentir e agir. É decidir amar mesmo quando é difícil, perdoar mesmo quando dói e acreditar que o outro pode sempre recomeçar. Esse é o olhar que redime, cura e sustenta o amor conjugal.

  • Perguntas:
  • Em quais situações do dia a dia tenho mais dificuldade de olhar meu cônjuge com misericórdia e não com julgamento?
  • Tenho valorizado mais os erros ou as qualidades do meu esposo(a)? Dê exemplos concretos.
  • Como posso permitir que o Espírito Santo transforme meu olhar dentro do meu matrimônio?
  • Existe alguma mágoa ou situação não resolvida que tem “contaminado” meu olhar sobre meu cônjuge?
  • O que posso começar a fazer, de forma prática, para olhar meu esposo(a) com mais amor, paciência e graça?

Texto escrito e adaptado pela Equipe de Formação do MFC de Maringá

Canto Inicial:
Oração de São Francisco
youtube.com/watch?v=t3b1a4I_mAo
Palavra de Deus: 1Cor 13, 4-7

Canto Final:
Anjos de Resgate – Primeiro Olhar
youtube.com/watch?v=IPgYxl9X4a4