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“EU FITO O SOL, ISTO É, O CORAÇÃO MISERICORDIOSO DE JESUS”

Não bastasse tudo o que nosso Senhor Jesus Cristo realizou por amor à humanidade, Ele ainda vem em nosso auxílio e nos revela o insondável tesouro de sua Divina Misericórdia. Por meio de sua humilde e fiel serva, Santa Faustina Kowalska, Jesus confia ao mundo uma missão simples e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora: recordar a todos que a misericórdia é o maior atributo de Deus.

Nas experiências espirituais vividas por Santa Faustina, Cristo insiste que a humanidade somente encontrará verdadeira paz quando voltar o olhar para essa fonte inesgotável de amor. Não se trata apenas de uma devoção entre tantas outras, mas de um caminho espiritual: reconhecer nossa própria pobreza, abrir o coração à graça e confiar plenamente no amor de Deus.

A Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia logo após a Páscoa porque ali está o centro do mistério cristão. A ressurreição de Cristo é a mais profunda manifestação da misericórdia divina. Aquele que foi ferido, humilhado e crucificado retorna glorioso, não para condenar, mas para oferecer paz. O Evangelho desse domingo apresenta justamente esse encontro: Jesus ressuscitado entra no lugar onde os discípulos estavam reunidos, ainda presos ao medo e à insegurança, e lhes dirige suas primeiras palavras: “A paz esteja convosco.”

Em seguida, Ele mostra suas chagas, sinais de um amor que foi até o extremo. E é dessas mesmas chagas que brota a esperança para o mundo. O Ressuscitado não esconde as marcas da cruz. Ao contrário, elas se tornam testemunho de que o amor de Deus é mais forte que o sofrimento, mais forte que o pecado e mais forte que a própria morte. Ali se revela o coração da misericórdia: Deus não responde à miséria humana com afastamento, mas com um amor ainda mais profundo.

No centro dessa espiritualidade encontra-se um chamado simples e, ao mesmo tempo, profundamente exigente: confiar. Em diversas passagens de seu diário, Jesus afirma a Santa Faustina que as maiores graças são concedidas às almas que confiam em sua misericórdia. Por isso, a breve oração inscrita na imagem de Jesus Misericordioso resume toda a essência dessa mensagem: “Jesus, eu confio em Vós.”

Essa confiança não ignora as fraquezas humanas, ao contrário, nasce justamente delas. Quem reconhece sua fragilidade compreende que tudo é graça. E quem experimenta a misericórdia de Deus aprende, pouco a pouco, a tornar-se também instrumento dessa mesma misericórdia no mundo.

Foi com essa profunda consciência que João Paulo II instituiu oficialmente essa festa para toda a Igreja no ano 2000, reconhecendo na mensagem da Divina Misericórdia uma resposta providencial às feridas e angústias do nosso tempo.

Celebrar a Festa da Misericórdia é, portanto, permitir que o coração seja novamente tocado pelo amor de Deus. É recordar que, apesar das quedas, sempre existe um caminho de retorno. Apesar das feridas, sempre existe cura. Apesar da noite, sempre existe ressurreição.
Diante desse mistério de amor, resta ao coração humano apenas uma atitude: aproximar-se com humildade e repetir, com fé serena e confiante, a oração que se torna abandono e esperança: Jesus, eu confio em Vós!

Texto escrito pela Equipe de Formação do MFC Maringá.